O que é a Úlcera Péptica

A úlcera péptica é uma lesão erosiva que penetra além da camada superficial da mucosa do estômago (úlcera gástrica) ou do duodeno (úlcera duodenal), atingindo a submucosa e, em casos graves, a muscular própria. Ela se forma quando os mecanismos de defesa da mucosa — camada de muco, bicarbonato, renovação celular e fluxo sanguíneo local — são superados pela ação do ácido gástrico e da pepsina.

Ao contrário do que ainda é dito popularmente, a úlcera não é causada por "nervosismo" ou "stress emocional". Tem causas bem definidas e tratamento com alta taxa de cura. Em Colatina, a Dra. Gabriela Dalfior Ferreira (CRM 10601 ES | RQE 9122 – Endoscopia) realiza diagnóstico endoscópico completo e tratamento da úlcera péptica, com confirmação de cicatrização e seguimento até a resolução.

Úlcera Gástrica versus Úlcera Duodenal: diferenças importantes

Embora ambas sejam chamadas de úlcera péptica, as úlceras gástrica e duodenal têm características clínicas e fisiopatológicas distintas:

Úlcera Duodenal

Representa a maioria dos casos e está intimamente associada à infecção por H. pylori, presente em até 90% dos pacientes. A dor característica é epigástrica, em queimação ou roedura, com padrão rítmico: piora com jejum e melhora com alimentação (o alimento tampona temporariamente o ácido). A dor pode acordar o paciente à noite entre 1h e 3h da manhã, quando a secreção ácida noturna atinge o pico. O risco de malignidade em úlcera duodenal é extremamente baixo — praticamente não existe.

Úlcera Gástrica

Mais comum em pacientes mais velhos e em usuários de AINEs. Diferentemente da duodenal, a dor pode piorar com a alimentação em alguns casos, especialmente quando a úlcera está no corpo gástrico. A perda de peso e a anorexia são mais frequentes do que na úlcera duodenal. Toda úlcera gástrica deve ter biópsia endoscópica para excluir malignidade, pois adenocarcinoma gástrico pode se apresentar como úlcera aparentemente benigna em cerca de 3-5% dos casos.

Causas da Úlcera Péptica

Helicobacter pylori

O H. pylori é responsável por aproximadamente 90% das úlceras duodenais e 60-70% das úlceras gástricas. A bactéria produz a enzima urease, que converte ureia em amônia e neutraliza o ácido local, permitindo sua sobrevivência no estômago. Além disso, a toxina CagA injeta proteínas diretamente nas células gástricas, comprometendo a integridade da barreira mucosa e estimulando a secreção ácida. A erradicação bem-sucedida do H. pylori cura a úlcera e reduz a taxa de recorrência de 70-80% para menos de 5% ao ano.

Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs)

Os AINEs inibem a ciclo-oxigenase (COX-1), responsável pela síntese de prostaglandinas protetoras da mucosa. Essa inibição reduz a produção de muco e bicarbonato, diminui o fluxo sanguíneo local e compromete a renovação celular — criando condições ideais para formação de úlcera. Pacientes em uso crônico de aspirina, ibuprofeno, diclofenaco ou naproxeno têm risco 3-4 vezes maior de desenvolver úlcera péptica. A combinação de AINEs com H. pylori multiplica sinergicamente o risco.

Síndrome de Zollinger-Ellison

Condição rara causada por tumores produtores de gastrina (gastrinomas), geralmente localizados no pâncreas ou duodeno. A hipergastrinemia leva à hipersecreção ácida grave, com formação de úlceras múltiplas, refratárias ao tratamento convencional e localizadas em sítios incomuns (duodeno distal, jejuno). Deve ser suspeitada em úlceras refratárias ao tratamento adequado.

Complicações da Úlcera Péptica

As complicações da úlcera péptica são situações que exigem atendimento de urgência:

  • Hemorragia digestiva alta: a complicação mais comum (15-20% dos pacientes). Manifesta-se como hematêmese (vômito com sangue vivo ou em "borra de café") ou melena (fezes negras e pastosas com odor característico). É a principal causa de hemorragia digestiva alta não varicosa e requer hospitalização imediata com endoscopia terapêutica de urgência
  • Perfuração: a úlcera atravessa toda a parede gástrica ou duodenal, causando peritonite química. Manifesta-se como dor abdominal súbita, intensa, "em facada", com abdome em tábua. É emergência cirúrgica
  • Estenose pilórica: úlceras de repetição no antro ou duodeno proximal causam fibrose e cicatrização que obstrui a saída do estômago. Manifesta-se com vômitos repetidos de conteúdo alimentar sem bile, perda de peso e distensão epigástrica
  • Penetração: a úlcera perfura para um órgão adjacente (pâncreas, fígado, omento), causando dor de padrão alterado, persistente e irradiada para o dorso

Diagnóstico Endoscópico: Classificação de Forrest

A endoscopia digestiva alta é o exame de escolha para diagnóstico da úlcera péptica — permite visualização direta, caracterização morfológica, coleta de biópsias e, quando necessário, tratamento endoscópico de hemorragia.

Em úlceras com sangramento ativo ou recente, a Classificação de Forrest estratifica o risco de ressangramento e orienta a indicação de hemostasia endoscópica:

  • Forrest Ia: sangramento ativo em jato — ressangramento em 90%; hemostasia endoscópica obrigatória
  • Forrest Ib: sangramento ativo em babação — hemostasia endoscópica indicada
  • Forrest IIa: vaso visível sem sangramento ativo — ressangramento em 50%; tratamento endoscópico recomendado
  • Forrest IIb: coágulo aderido — ressangramento em 30%; conduta controversa, frequentemente requer remoção do coágulo
  • Forrest IIc: hematina (úlcera de fundo negro) — baixo risco de ressangramento
  • Forrest III: úlcera de base limpa — ressangramento em menos de 5%; tratamento conservador

A Dra. Gabriela Dalfior, como endoscopista em Colatina, realiza o diagnóstico e avalia as características endoscópicas das úlceras para determinar a conduta mais adequada em cada caso.

Tratamento da Úlcera Péptica

Tratamento clínico padrão

  • IBP em dose plena: omeprazol, pantoprazol ou esomeprazol por 4-8 semanas, mantendo o pH gástrico acima de 3 para permitir a cicatrização da úlcera
  • Erradicação do H. pylori: quando presente, com esquema antibiótico adequado e confirmação da cura após 4-6 semanas do término do tratamento — essencial para prevenir a recorrência
  • Suspensão de AINEs: quando possível, com substituição por alternativas mais seguras; se o uso for imprescindível, manter proteção com IBP
  • Cessação do tabagismo: o tabaco retarda a cicatrização da úlcera e aumenta o risco de recorrência

Endoscopia de controle para úlceras gástricas

Toda úlcera gástrica deve ter biópsia na primeira endoscopia e endoscopia de controle após 8-12 semanas de tratamento para confirmar a cicatrização completa e excluir malignidade, mesmo quando a biópsia inicial foi benigna. A não cicatrização após tratamento adequado é sinal de alarme que exige investigação aprofundada.

Quando internar

A internação hospitalar é indicada em: hemorragia digestiva alta com instabilidade hemodinâmica, úlcera perfurada (cirurgia de emergência), estenose pilórica com desidratação e distúrbios eletrolíticos, e em pacientes idosos ou com comorbidades que apresentem complicações mesmo sem instabilidade imediata.

Quando Procurar um Gastroenterologista em Colatina

Consulte a Dra. Gabriela Dalfior imediatamente se você apresenta:

  • Vômito com sangue vivo ou aspecto de "borra de café"
  • Fezes negras, pastosas e com odor forte (melena)
  • Dor abdominal súbita e intensa, especialmente com abdome rígido
  • Vômitos repetidos sem melhora, com perda de peso
  • Dor epigástrica persistente que piora com jejum ou não melhora com antiácidos
  • Diagnóstico prévio de úlcera sem erradicação confirmada do H. pylori

Perguntas Frequentes sobre Úlcera Péptica

Úlcera pode virar câncer?

A úlcera duodenal praticamente não tem risco de malignização. Já a úlcera gástrica exige atenção: embora a maioria seja benigna, o adenocarcinoma gástrico pode se apresentar como úlcera macroscopicamente semelhante a uma úlcera benigna em uma minoria dos casos. Por isso, toda úlcera gástrica deve ser biopsiada durante a endoscopia e ter controle endoscópico com nova biópsia após o tratamento para confirmar cicatrização e excluir malignidade.

Posso tomar ibuprofeno ou outros anti-inflamatórios tendo úlcera?

Idealmente não, pois os AINEs são um dos principais fatores causais da úlcera e retardam sua cicatrização. Se o uso for absolutamente necessário por outra condição médica, deve ser feito com a menor dose eficaz, pelo menor tempo possível, e sempre com proteção gástrica com IBP. Alternativas como paracetamol ou inibidores seletivos de COX-2 podem ser consideradas em alguns casos. A decisão deve ser tomada em conjunto com o médico responsável pelo tratamento da condição de base e com a gastroenterologista.

Úlcera péptica tem cura?

Sim. A úlcera péptica tem cura com tratamento adequado. A erradicação do H. pylori, quando este é o agente causador, cura a úlcera e reduz dramaticamente a taxa de recorrência — de aproximadamente 70-80% ao ano sem tratamento para menos de 5% após erradicação bem-sucedida. Nas úlceras por AINEs, a retirada do medicamento associada ao IBP resulta em cicatrização na maioria dos casos em 4-8 semanas.

Quais sintomas indicam complicação grave da úlcera?

Procure pronto-socorro imediatamente na presença de: vômito com sangue (qualquer quantidade), fezes negras e pastosas, dor abdominal intensa de início súbito com endurecimento do abdome, tontura, fraqueza extrema ou desmaio associados a dor de estômago. Esses sinais indicam hemorragia ou perfuração — complicações que podem ser fatais sem tratamento imediato.

Dor de estômago persistente em Colatina? Não ignore.

A Dra. Gabriela Dalfior Ferreira, gastroenterologista em Colatina-ES, realiza diagnóstico endoscópico e tratamento completo da úlcera péptica — com seguimento até a confirmação da cicatrização e erradicação do H. pylori. Atendimento presencial e online disponíveis.

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