O que é Gastrite e por que não deve ser ignorada

A gastrite é a inflamação da mucosa gástrica — o revestimento interno do estômago. Ela pode ser aguda (instalação rápida, frequentemente reversível) ou crônica (persistente por meses ou anos, com risco de atrofia e complicações de longo prazo). Suas causas variam desde infecção pelo Helicobacter pylori até uso de anti-inflamatórios, doenças autoimunes e agressões por álcool ou estresse fisiológico.

Tratar a gastrite sem identificar sua causa subjacente é o principal motivo de recorrência e piora progressiva. Em Colatina, a Dra. Gabriela Dalfior Ferreira (CRM 10601 ES | RQE 8973) realiza investigação completa, com endoscopia e análise histológica, para orientar o tratamento correto desde a primeira consulta.

Sintomas da Gastrite

  • Dor ou desconforto epigástrico — região central superior do abdome, entre o umbigo e o esterno
  • Náuseas e vômitos, especialmente pela manhã ou após refeições
  • Sensação de plenitude pós-prandial precoce — estômago "cheio" com pouca comida
  • Perda de apetite e, em casos crônicos, perda de peso
  • Queimação ou ardência estomacal
  • Eructações (arrotos) frequentes
  • Fezes escuras (melena) — sinal de sangramento, requer avaliação imediata

Atenção importante: a gastrite pode ser completamente assintomática. Muitos pacientes com H. pylori ativo ou gastrite atrófica avançada não apresentam sintomas digestivos evidentes, sendo descobertos apenas durante endoscopia indicada por outro motivo ou por alterações laboratoriais como anemia ferropriva inexplicada.

Tipos e Causas de Gastrite

Gastrite por H. pylori — a causa mais comum

O Helicobacter pylori é responsável pela maioria dos casos de gastrite crônica no mundo. A bactéria coloniza preferencialmente o antro gástrico e desencadeia uma resposta inflamatória mediada por linfócitos e neutrófilos. Fatores de virulência como a proteína CagA (citotoxina associada ao gene A) e a toxina VacA (citotoxina vacuolizante) amplificam o dano tecidual e estão associados a formas mais agressivas da infecção, com maior risco de úlcera e câncer gástrico.

Sem tratamento, a gastrite por H. pylori segue uma progressão denominada Cascata de Correa: gastrite superficial → gastrite atrófica → metaplasia intestinal → displasia → adenocarcinoma gástrico. Essa progressão leva décadas e não é inevitável, mas justifica a indicação de erradicação em todos os portadores da bactéria.

Gastrite por AINEs — muito mais comum do que se imagina

Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) — aspirina, ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco, cetoprofeno — inibem a enzima COX-1, responsável pela produção de prostaglandinas que protegem a mucosa gástrica. Com a redução dessas prostaglandinas, a mucosa fica vulnerável à ação do ácido, resultando em erosões, hemorragias subepiteliais e gastrite química. É uma causa extremamente prevalente, sobretudo em idosos que usam esses medicamentos de forma crônica para doenças osteoarticulares. A combinação de H. pylori com uso de AINEs multiplica o risco de lesão gástrica.

Gastrite autoimune — o sistema imune atacando o próprio estômago

Na gastrite autoimune, anticorpos dirigidos contra as células parietais gástricas e contra o fator intrínseco causam atrofia progressiva do corpo e fundo gástrico. A consequência é a redução da produção de ácido clorídrico (acloridria) e do fator intrínseco, proteína essencial para a absorção de vitamina B12. A deficiência grave de B12 leva à anemia perniciosa — anemia megaloblástica com potencial de dano neurológico irreversível se não tratada.

A gastrite autoimune está associada ao risco aumentado de carcinoma gástrico do tipo intestinal e tumores carcinoides gástricos, exigindo vigilância endoscópica periódica. Pacientes com outras doenças autoimunes (tireoidite de Hashimoto, diabetes tipo 1, vitiligo) têm maior predisposição.

Gastrite química, por bile e por estresse

O refluxo duodenogástrico de bile pode causar gastrite química — inflamação predominante no antro, sem H. pylori, frequentemente associada a gastrectomia prévia ou insuficiência do piloro. A gastrite de estresse ocorre em pacientes em situação crítica (UTI, grandes cirurgias, queimaduras extensas, trauma grave) e pode causar úlceras agudas de estresse com sangramento. O uso abusivo de álcool também causa erosões agudas da mucosa.

A Classificação de Sydney

O Sistema de Sydney é o protocolo histológico padronizado para classificação da gastrite crônica. Ele define topografia (antral, corporal, pangástrica), morfologia (atividade inflamatória, atrofia, metaplasia intestinal, presença de H. pylori) e etiologia. Essa classificação orienta o acompanhamento endoscópico e o risco de progressão para metaplasia e neoplasia, sendo essencial para a tomada de decisão clínica.

Diagnóstico da Gastrite

A endoscopia digestiva alta com biópsia é o padrão-ouro para o diagnóstico e tipificação da gastrite. A avaliação macroscópica durante o exame revela o padrão de distribuição da inflamação, presença de erosões, atrofia ou metaplasia. As biópsias coletadas do antro, corpo e incisura angularis são enviadas para análise histológica — que permite identificar o grau de inflamação, atrofia, metaplasia intestinal e presença de H. pylori conforme o protocolo de Sydney.

A Dra. Gabriela Dalfior, como gastroenterologista e endoscopista em Colatina, realiza o procedimento com expertise técnica e integra os achados histológicos ao quadro clínico para determinar a conduta mais adequada. Não é necessário fazer endoscopia para "confirmar gastrite" em todo paciente — a indicação do exame é sempre individualizada com base nos sintomas, fatores de risco e resposta ao tratamento inicial.

Tratamento da Gastrite

O tratamento é sempre direcionado à causa identificada:

  • H. pylori: erradicação com esquema triplo (IBP + amoxicilina + claritromicina) ou quádruplo com bismuto por 10-14 dias, seguida de confirmação da cura com teste respiratório ao ureia-C13 após 4-6 semanas da conclusão do tratamento
  • AINEs: suspensão ou substituição por medicamentos com menor agressividade gástrica (inibidores seletivos de COX-2 ou paracetamol quando clinicamente possível), com proteção gástrica com IBP enquanto o uso não puder ser interrompido
  • Gastrite autoimune: suplementação de vitamina B12 intramuscular ou oral em altas doses, monitoramento endoscópico regular para vigilância de displasia e carcinoide, investigação de outras doenças autoimunes associadas
  • Sintomático: IBP, antiácidos e procinéticos conforme o perfil predominante de cada paciente — sempre na menor dose e pelo menor tempo eficaz

Prevenção da Gastrite

As principais estratégias preventivas incluem: evitar o uso indiscriminado de AINEs (especialmente sem protetor gástrico), limitar o consumo de álcool, não fumar (o tabaco piora a gastrite por H. pylori e retarda a cicatrização), manter hábitos alimentares regulares com refeições em horários consistentes e, quando indicado, realizar a pesquisa e erradicação do H. pylori antes do desenvolvimento de complicações.

Quando Procurar um Gastroenterologista em Colatina

Procure a Dra. Gabriela Dalfior se você apresenta:

  • Dor ou desconforto epigástrico persistente por mais de duas semanas
  • Sintomas que retornam após suspensão do antiácido ou IBP
  • Uso frequente de AINEs e sintomas gástricos associados
  • Anemia diagnosticada sem causa evidente
  • História familiar de câncer gástrico ou diagnóstico prévio de H. pylori não tratado
  • Qualquer sinal de alarme: perda de peso, vômitos com sangue, fezes escuras ou disfagia

Perguntas Frequentes sobre Gastrite

Gastrite tem cura?

Depende do tipo. A gastrite por H. pylori tem cura após a erradicação bem-sucedida da bactéria — a inflamação regride, e em fases iniciais, a mucosa pode se recuperar completamente. A gastrite por AINEs melhora com a suspensão do medicamento e uso temporário de IBP. Já a gastrite autoimune não tem cura, mas pode ser controlada com suplementação de B12 e acompanhamento regular. A gastrite crônica com atrofia avançada pode não ser reversível, mas a progressão para formas mais graves pode ser interrompida com o tratamento adequado.

Posso comer tudo com gastrite?

Não existe uma dieta universal para gastrite. Na fase aguda e inflamatória, refeições leves, fracionadas e com baixo teor de gordura reduzem os sintomas. Alimentos que costumam piorar os sintomas incluem: frituras, pimentas, alimentos ácidos, café, álcool e refeições muito volumosas. Porém, as restrições alimentares são individuais — o que incomoda um paciente pode ser bem tolerado por outro. A orientação nutricional personalizada, integrada ao tratamento médico, é sempre a melhor abordagem.

Gastrite pode virar câncer?

A gastrite simples não vira câncer diretamente. O que existe é uma progressão sequencial bem descrita — a Cascata de Correa — em que a gastrite crônica por H. pylori pode evoluir ao longo de décadas para gastrite atrófica, metaplasia intestinal, displasia e, finalmente, adenocarcinoma gástrico. Esse processo é lento, não é inevitável e pode ser interrompido com a erradicação do H. pylori, especialmente nas fases iniciais. A gastrite autoimune também confere risco aumentado. Pacientes com atrofia ou metaplasia intestinal confirmadas na histologia devem ter acompanhamento endoscópico regular.

Preciso sempre de endoscopia para diagnosticar gastrite?

Não necessariamente. Pacientes jovens com sintomas dispépticos típicos e sem sinais de alarme podem ser tratados empiricamente sem endoscopia inicial. A pesquisa de H. pylori por método não invasivo (teste respiratório ao ureia-C13 ou antígeno fecal) e o tratamento empírico com IBP são estratégias válidas nesse perfil. A endoscopia com biópsia é indicada quando há sinais de alarme, ausência de resposta ao tratamento, suspeita de gastrite atrófica ou metaplasia, e em pacientes com fatores de risco para câncer gástrico. A decisão é sempre individualizada pela Dra. Gabriela.

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A Dra. Gabriela Dalfior Ferreira, gastroenterologista em Colatina-ES, realiza diagnóstico completo da gastrite — endoscopia, histologia e identificação da causa — para um tratamento eficaz e duradouro. Atendimento presencial e online disponíveis.

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