O que é a Endoscopia Digestiva Alta
A endoscopia digestiva alta (EDA) — também chamada de esofagogastroduodenoscopia (EGD) ou gastroscopia — é o procedimento que permite a visualização direta e em tempo real da mucosa do esôfago, estômago e duodeno. É realizada por meio de um endoscópio: um tubo flexível, com diâmetro de aproximadamente 10 mm, equipado com uma câmera de alta definição (HD ou 4K nos equipamentos modernos) na extremidade, fonte de luz LED, canal de ar/água para limpeza da mucosa e um ou dois canais de trabalho por onde passam os instrumentos de biópsia e terapêuticos.
Durante o procedimento, o endoscopista avança o aparelho pela boca, pela faringe, pelo esôfago, através da cárdia (junção esôfago-gástrica) até o estômago, e então pelo piloro até o duodeno — alcançando a segunda porção duodenal e, quando indicado, a terceira. O que o médico observa em tempo real na tela é a mucosa (revestimento interno) dessas estruturas: sua cor, textura, vascularização, presença de irregularidades, úlceras, erosões, pólipos, sangramento ou alterações de padrão que sugerem metaplasia ou displasia.
Em Colatina, a Dra. Gabriela Dalfior Ferreira (CRM 10601 ES | RQE 9122 – Endoscopia Digestiva) realiza a endoscopia com dupla expertise: como gastroenterologista clínica, ela entende o contexto de cada paciente antes de inserir o endoscópio; como endoscopista certificada, realiza o procedimento com técnica precisa e interpreta os achados de forma integrada ao quadro clínico — não apenas como um relatório de imagem desconectado da história do paciente.
Indicações da Endoscopia Digestiva Alta — com Justificativa Clínica
Investigação de dor epigástrica persistente
Dor ou desconforto na região central e superior do abdome (epigástrio) que persiste por mais de quatro semanas, não responde ao tratamento empírico com antiácidos ou IBP, ou retorna após a suspensão do tratamento, requer endoscopia para identificar a causa. As hipóteses diagnósticas incluem gastrite crônica (com ou sem H. pylori), úlcera péptica, gastroparesia, DRGE com esofagite e, em casos com sinais de alarme, malignidade gástrica.
DRGE e azia refratários
Pacientes com doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) que não respondem adequadamente ao tratamento com inibidores de bomba de prótons (IBP) em dose plena, ou que apresentam sintomas de alarme (disfagia, perda de peso, vômitos), devem realizar endoscopia para avaliar o grau de esofagite (classificação de Los Angeles), excluir esôfago de Barrett e identificar complicações do refluxo.
Disfagia — dificuldade para engolir
A disfagia a sólidos, a líquidos ou ambos é sempre um sintoma que exige investigação endoscópica urgente. Causas incluem estenose esofágica benigna (por refluxo ou causticação), esôfago eosinofílico (causa crescentemente diagnosticada, especialmente em jovens com impactação alimentar), acalasia, neoplasia esofágica e compressão extrínseca. A endoscopia permite visualização direta, biópsia e, em casos de estenose, dilatação no mesmo ato.
Anemia ferropriva sem causa aparente
Anemia por deficiência de ferro sem sangramento aparente ou explicação dietética clara indica investigação do trato digestivo para identificar sangramento oculto. A EDA busca úlceras, erosões, lesões vasculares (angiodisplasias) e tumores no esôfago, estômago e duodeno. Em mulheres pré-menopausadas, a deficiência de ferro é frequentemente atribuída ao ciclo menstrual sem investigação adequada — mas doença celíaca e gastrite atrófica são diagnósticos a não perder.
Investigação e pesquisa de H. pylori
A biópsia endoscópica permite o teste de urease rápido (resultado em 1 hora) e a análise histológica para confirmar a infecção por Helicobacter pylori — o método de maior acurácia diagnóstica. Importante: os IBPs devem ser suspensos por pelo menos duas semanas antes do exame quando o objetivo é a pesquisa de H. pylori pelo teste de urease, pois suprimem a bactéria e podem causar resultado falso-negativo.
Suspeita de doença celíaca
A biópsia de duodeno (pelo menos 4 fragmentos da segunda porção + 2 do bulbo duodenal, conforme as diretrizes atuais) é necessária para o diagnóstico definitivo de doença celíaca, mostrando graus variáveis de atrofia vilositária (classificação de Marsh). A endoscopia também avalia o padrão da mucosa duodenal — em celíaca ativa, as vilosidades aparecem achatadas com aspecto "em mosaico" ou com perda das pregas de Kerckring.
Sangramento digestivo alto
Hematêmese (vômito com sangue vivo ou em "borra de café") ou melena (fezes pretas, pastosas e com odor fétido, indicando sangramento acima do ângulo de Treitz) são emergências que requerem endoscopia em até 24 horas. Em situações de instabilidade hemodinâmica, após ressuscitação adequada. A EDA identifica a fonte do sangramento e permite tratamento endoscópico imediato (hemostasia).
Rastreamento do esôfago de Barrett
Em pacientes com DRGE crônica há mais de cinco anos, especialmente homens acima de 50 anos com obesidade central e tabagismo, o rastreamento de esôfago de Barrett é recomendado. O Barrett é uma metaplasia (substituição do epitélio esofágico normal por epitélio colunar intestinal) com risco aumentado de progressão para adenocarcinoma. A detecção precoce em estágio de displasia permite tratamento endoscópico curativo.
Avaliação pré-operatória de cirurgia bariátrica
A endoscopia é obrigatória antes de qualquer cirurgia bariátrica para identificar e tratar H. pylori, avaliar a presença de hérnia hiatal, úlcera péptica ou outras condições que possam influenciar a técnica cirúrgica ou aumentar o risco pós-operatório.
Como Funciona a Sedação na Endoscopia
A endoscopia digestiva alta é realizada sob sedação venosa, administrada por um anestesiologista, tornando o procedimento confortável e sem memória para o paciente. A sedação não é anestesia geral — o paciente mantém os reflexos protetores das vias aéreas e respira espontaneamente.
Os medicamentos mais utilizados são:
- Propofol: agente hipnótico de ação ultra-rápida e duração curta. Induz sedação profunda em segundos e tem eliminação rápida — o principal agente para endoscopias eletivas em pacientes hígidos
- Midazolam: benzodiazepínico que produz sedação, ansiolise e amnésia anterógrada. Usado em combinação com opioides, especialmente em pacientes mais sensíveis
- Fentanil: opioide de ação curta que reduz o desconforto durante o procedimento. Usado em combinação com midazolam ou propofol
O anestesiologista monitora continuamente a saturação de oxigênio, frequência cardíaca e pressão arterial durante todo o procedimento. A maioria das endoscopias dura entre 10 e 20 minutos.
Por que não posso dirigir após a sedação?
Mesmo após o paciente estar visivelmente acordado e orientado, os medicamentos da sedação — especialmente o midazolam, que tem meia-vida de eliminação mais longa — produzem efeito residual que compromete o tempo de reação, a coordenação motora fina e o julgamento por quatro a seis horas após o procedimento. Esse efeito residual não é subjetivamente perceptível pelo paciente — a pessoa sente que está bem, mas seus reflexos e capacidade de reação estão objetivamente comprometidos. Por isso, é obrigatório vir acompanhado de um adulto responsável que possa dirigir de volta.
Preparo para a Endoscopia Digestiva Alta
- Jejum absoluto: mínimo de 8 horas de sólidos antes do procedimento. Alguns protocolos permitem líquidos claros (água, chá sem leite) até 2 a 4 horas antes — conforme orientação específica da Dra. Gabriela
- Medicamentos: a maioria pode ser mantida normalmente. IBPs devem ser suspensos por 2 semanas se o objetivo for pesquisa de H. pylori por urease. Anticoagulantes e antiagregantes devem ser avaliados individualmente com antecedência
- Acompanhante: obrigatório — o paciente não pode sair sozinho nem dirigir após a sedação
- Roupa confortável: evitar roupas apertadas e adornos no pescoço
- Dentaduras e próteses removíveis: devem ser retiradas antes do procedimento
Interpretando os Achados mais Comuns
Gastrite crônica
Inflamação da mucosa gástrica, podendo ser antral, fúndica ou pangástrica. As causas principais são H. pylori e uso crônico de AINEs. O diagnóstico definitivo é histológico (biópsia), pois a aparência endoscópica pode ser normal mesmo com inflamação microscópica importante.
Metaplasia intestinal gástrica
Substituição do epitélio gástrico normal por células com características intestinais — um achado que indica lesão crônica da mucosa e está associado a maior risco de câncer gástrico. Requer biópsia e seguimento endoscópico, cuja frequência é determinada pela extensão e pelo tipo histológico da metaplasia (classificação OLGIM).
Úlcera péptica
Perda de substância da mucosa gástrica (úlcera gástrica) ou duodenal (úlcera duodenal). Úlceras gástricas requerem biópsia em múltiplos pontos para excluir malignidade e controle endoscópico após tratamento para confirmar cicatrização completa. Úlceras duodenais raramente são malignas e geralmente não requerem biópsia, mas exigem investigação e erradicação de H. pylori.
Pólipos gástricos
Os pólipos de glândulas fúndicas são os mais comuns — associados ao uso crônico de IBPs, geralmente benignos. Os pólipos hiperplásicos exigem biópsia e, se maiores que 5-10 mm, remoção. Os pólipos adenomatosos gástricos têm potencial maligno e requerem polipectomia endoscópica e seguimento.
Perguntas Frequentes sobre Endoscopia Digestiva
A endoscopia dói?
Com sedação adequada, não. A grande maioria dos pacientes não tem nenhuma memória do procedimento e relata não ter sentido nada. Sem sedação — o que não é prática habitual no Brasil —, o paciente pode sentir desconforto ao engolir o endoscópio e durante a insuflação de ar no estômago. A sedação venosa administrada pelo anestesiologista torna a endoscopia um procedimento confortável, sem dor e sem ansiedade. Após o exame, pode haver leve desconforto de garganta por algumas horas, que melhora espontaneamente.
Posso fazer endoscopia sem sedação?
Tecnicamente é possível — alguns serviços oferecem endoscopia com apenas anestesia tópica da garganta (spray de lidocaína). Porém, o procedimento é significativamente mais desconfortável, o paciente pode ter reflexo de vômito intenso que dificulta o exame, e a qualidade da avaliação pode ser comprometida. No Brasil, a prática padrão e mais segura é a sedação venosa com anestesiologista. Em casos específicos onde a sedação apresenta risco elevado, a equipe avalia individualmente as alternativas.
A endoscopia detecta câncer?
Sim — e é um dos principais objetivos do exame em pacientes com indicação de rastreamento. A endoscopia com equipamento de alta definição e técnicas como cromoscopia (coloração virtual) permite identificar lesões gástricas e esofágicas precoces, muitas vezes não visíveis a olho nu em equipamentos convencionais. A biópsia de áreas suspeitas permite o diagnóstico histológico. O câncer gástrico precoce (confinado à mucosa e submucosa) tem taxas de cura superiores a 90% com tratamento endoscópico — daí a importância de indicar a endoscopia quando há suspeita clínica, sem aguardar sintomas avançados.
Posso fazer endoscopia se não fiz o jejum completo?
Não — o jejum inadequado é contraindicação para realizar a endoscopia com sedação. Conteúdo gástrico presente aumenta o risco de regurgitação e broncoaspiração durante o procedimento, o que pode causar pneumonia aspirativa grave. Além disso, resíduo alimentar no estômago impede a visualização adequada da mucosa, comprometendo a qualidade do exame. Se você não conseguiu fazer o jejum correto, informe a equipe antes do procedimento — o exame deve ser reagendado.
Endoscopia digestiva em Colatina com a especialista
A Dra. Gabriela Dalfior Ferreira é gastroenterologista e endoscopista certificada (RQE 9122) em Colatina-ES. Agende sua endoscopia digestiva alta com interpretação clínica integrada e diagnóstico preciso.
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