O que é a Doença do Refluxo Gastroesofágico
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma das condições digestivas mais prevalentes no Brasil, afetando entre 10% e 20% da população adulta. Ela ocorre quando o conteúdo gástrico — ácido, bile ou gás — retorna ao esôfago de forma persistente e patológica, causando sintomas e, em muitos casos, lesões na mucosa esofágica.
É fundamental diferenciar refluxo fisiológico de refluxo patológico. Episódios esporádicos de refluxo após refeições volumosas são normais e ocorrem em qualquer pessoa saudável. A DRGE como doença é definida quando o refluxo provoca sintomas que comprometem a qualidade de vida ou causa lesões endoscópicas documentadas — com frequência de pelo menos duas vezes por semana de forma persistente.
Em Colatina, a Dra. Gabriela Dalfior Ferreira (CRM 10601 ES | RQE 8973 – Gastroenterologia | RQE 9122 – Endoscopia) realiza a investigação e o tratamento completo da DRGE, incluindo endoscopia digestiva alta para avaliação detalhada da mucosa esofágica.
O Mecanismo do Refluxo: como acontece
O principal mecanismo de proteção contra o refluxo é o esfíncter esofágico inferior (EEI) — uma zona de alta pressão muscular localizada na transição entre o esôfago e o estômago. Em condições normais, o EEI permanece contraído e relaxa apenas durante a deglutição.
Na DRGE, dois mecanismos principais estão envolvidos. O primeiro e mais comum são os relaxamentos transitórios do EEI (RTEEI) — episódios de relaxamento do esfíncter não relacionados à deglutição, mediados por reflexos vago-vagais, que permitem a entrada do conteúdo gástrico no esôfago. O segundo mecanismo é a hipotensão do EEI, pressão basal permanentemente reduzida, menos frequente mas associado à DRGE mais grave.
A hérnia de hiato — deslocamento da junção esofagogástrica para o interior do tórax — favorece a DRGE por dois mecanismos: compromete o mecanismo de válvula da cárdia e cria uma "armadilha" ácida que facilita o refluxo durante os relaxamentos do EEI.
Sintomas da DRGE
Sintomas típicos (esofágicos):
- Pirose (azia): sensação de queimação retroesternal que sobe do epigástrio em direção à garganta, piora após refeições, ao deitar ou ao dobrar o tronco
- Regurgitação ácida: retorno de conteúdo ácido ou alimentar à boca ou faringe sem esforço de vômito — sabor amargo ou azedo característico
- Disfagia: dificuldade para engolir, especialmente alimentos sólidos, podendo indicar estenose esofágica ou esôfago de Barrett com displasia
Sintomas atípicos (extraesofágicos):
- Tosse crônica seca sem causa pulmonar identificada, especialmente noturna
- Rouquidão e alterações vocais matinais — laringite por refluxo
- Sensação de "globo" ou corpo estranho na garganta
- Asma de difícil controle ou piora noturna
- Erosão do esmalte dentário — descoberta pelo dentista
- Dor torácica não cardíaca — somente após exclusão de causa cardíaca
- Sinusite crônica recorrente sem foco alérgico identificado
Sinais de alarme que exigem endoscopia imediata: disfagia progressiva, odinofagia (dor ao engolir), perda de peso involuntária, vômitos persistentes, anemia e sangramento digestivo.
Classificações da Esofagite por Refluxo
Quando o refluxo causa lesão na mucosa esofágica, a esofagite é graduada endoscopicamente. Duas classificações são amplamente utilizadas:
Classificação de Los Angeles (atual padrão internacional)
- Grau A: uma ou mais erosões com menos de 5 mm de comprimento, sem continuidade entre pregas
- Grau B: uma ou mais erosões com mais de 5 mm, sem continuidade entre pregas
- Grau C: erosões contínuas entre pregas, sem circunferencialidade completa
- Grau D: erosões circunferenciais — maior risco de estenose e Barrett
Classificação de Savary-Miller (ainda utilizada em alguns serviços)
- Grau I: erosões isoladas não confluentes
- Grau II: erosões confluentes não circulares
- Grau III: erosões confluentes circulares
- Grau IV: complicações — úlcera, estenose ou esôfago de Barrett
DRGE Não Erosiva
Cerca de 50-70% dos pacientes com sintomas típicos de DRGE têm endoscopia normal — essa é a chamada DRGE não erosiva (DRGE-NE). Esses pacientes têm mucosa macroscopicamente preservada, mas podem ter exposição ácida elevada documentada na pHmetria ou hipersensibilidade esofágica. A DRGE-NE responde menos ao IBP em relação à esofagite erosiva e frequentemente exige investigação funcional complementar.
Esôfago de Barrett: quando o refluxo transforma o esôfago
O esôfago de Barrett é uma complicação da DRGE crônica em que o epitélio escamoso normal do esôfago distal é substituído por epitélio colunar metaplásico com células caliciformes — a chamada metaplasia intestinal especializada. Essa transformação é uma resposta adaptativa ao dano ácido crônico, mas representa um risco aumentado de progressão para adenocarcinoma esofágico.
O risco de adenocarcinoma no esôfago de Barrett sem displasia é de aproximadamente 0,3% ao ano — baixo em termos absolutos, mas significativamente superior ao da população geral. A presença de displasia de baixo ou alto grau eleva substancialmente esse risco e pode indicar tratamento endoscópico ablativo.
Por isso, pacientes com Barrett confirmado devem realizar endoscopias de vigilância em intervalos definidos pelo grau de displasia, conforme as diretrizes vigentes. A Dra. Gabriela, como gastroenterologista em Colatina, acompanha esses pacientes com protocolo individualizado de vigilância endoscópica.
Diagnóstico e Investigação da DRGE
Nem todo paciente com azia precisa do mesmo conjunto de exames. A decisão de investigar e como investigar depende do perfil clínico:
- Endoscopia digestiva alta: indicada na presença de sinais de alarme, em pacientes acima de 45 anos com início recente de sintomas, em uso crônico de IBP ou quando há suspeita de esofagite ou Barrett. Permite estadiamento das lesões e coleta de biópsias
- pHmetria esofágica de 24 horas: padrão-ouro para documentar exposição ácida e correlacionar sintomas com episódios de refluxo. Essencial para diagnóstico de DRGE não erosiva e antes de cirurgia antirrefluxo
- pHimpedancimetria: variante da pHmetria que detecta também refluxo não ácido (bilioso ou gasoso), relevante em pacientes com sintomas persistentes mesmo em uso de IBP
- Manometria esofágica de alta resolução: avalia a função motora do esôfago e a pressão do EEI. Obrigatória antes de cirurgia para excluir distúrbios motores que contraindicam a fundoplicatura
Tratamento da DRGE
Medidas comportamentais e dietéticas
Elevação da cabeceira da cama em 15 cm (especialmente para pacientes com sintomas noturnos), evitar deitar por pelo menos 2-3 horas após as refeições, redução de peso nos pacientes com sobrepeso ou obesidade, cessação do tabagismo e identificação dos alimentos desencadeantes individuais. Os principais gatilhos dietéticos incluem: alimentos gordurosos, café, álcool, chocolate, cítricos, menta, tomate e bebidas carbonatadas.
Tratamento com Inibidores de Bomba de Prótons (IBP)
Os IBP — omeprazol, pantoprazol, esomeprazol, rabeprazol, lansoprazol — são a primeira linha terapêutica para DRGE erosiva e têm alta eficácia na cicatrização da esofagite. A dose e a duração dependem do grau de esofagite: em geral, 4-8 semanas para esofagite leve a moderada, podendo ser necessário tratamento de manutenção em pacientes com esofagite grave, Barrett ou sintomas recorrentes ao suspender o medicamento.
A Dra. Gabriela alerta que o uso crônico e indiscriminado de IBP não é inócuo. Efeitos colaterais do uso prolongado incluem: risco aumentado de infecção por Clostridioides difficile, supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO), deficiência de magnésio e vitamina B12, aumento de risco de fratura óssea e interação com clopidogrel. O IBP deve ser usado pelo menor tempo e na menor dose eficaz.
Quando considerar o tratamento cirúrgico
A fundoplicatura laparoscópica (técnica de Nissen ou Toupet) é indicada para pacientes com DRGE grave e documentada que não respondem ao tratamento clínico otimizado, pacientes jovens que não desejam uso medicamentoso crônico, e em casos de hérnia de hiato volumosa associada à DRGE sintomática. A seleção adequada dos candidatos à cirurgia é fundamental — a manometria e a pHmetria pré-operatórias são obrigatórias para garantir o sucesso do procedimento.
Quando Procurar um Gastroenterologista em Colatina
Consulte a Dra. Gabriela Dalfior se você apresenta:
- Azia ou regurgitação com frequência de dois ou mais episódios por semana
- Sintomas que persistem mesmo com uso de antiácidos ou IBP vendidos sem receita
- Dificuldade para engolir ou sensação de alimento parado na garganta
- Tosse crônica, rouquidão ou asma sem explicação pulmonar clara
- Qualquer sinal de alarme: perda de peso, vômitos persistentes, sangue nas fezes ou anemia
- Uso de IBP há mais de 8 semanas sem avaliação especializada
Perguntas Frequentes sobre Refluxo Gastroesofágico
O refluxo gastroesofágico é perigoso?
Na maioria dos casos, a DRGE é uma condição crônica manejável que não representa risco de vida. Porém, quando não tratada adequadamente, pode evoluir para esofagite erosiva grave, estenose esofágica (estreitamento que dificulta a deglutição) e, no caso do esôfago de Barrett, existe risco aumentado de desenvolver adenocarcinoma esofágico ao longo de muitos anos. Por isso, avaliação e acompanhamento com gastroenterologista são importantes para estratificar o risco de cada paciente.
Todo paciente com refluxo precisa fazer endoscopia?
Não. Pacientes jovens (abaixo de 45 anos) com sintomas típicos de DRGE sem sinais de alarme podem iniciar tratamento empírico com IBP sem necessidade imediata de endoscopia — essa é a abordagem recomendada pelas diretrizes internacionais. A endoscopia é indicada na presença de sinais de alarme, em pacientes mais velhos com início recente de sintomas, naqueles que não respondem ao tratamento, em uso crônico de IBP ou quando há suspeita de Barrett.
Posso tomar IBP por anos sem preocupação?
O uso de IBP é seguro a curto e médio prazo, mas o uso crônico sem reavaliação periódica não é recomendado. Estudos associam o uso prolongado a deficiências nutricionais (magnésio, vitamina B12, ferro), risco de infecção intestinal por Clostridioides difficile, SIBO e, em idosos, maior risco de fratura. A Dra. Gabriela avalia periodicamente a necessidade de manter o IBP e considera estratégias de desmame quando clinicamente adequado.
Posso ter refluxo sem sentir azia?
Sim. A chamada DRGE silenciosa ou refluxo silencioso pode se manifestar apenas por sintomas extraesofágicos como tosse crônica, rouquidão, pigarro frequente, sensação de globo na garganta ou asma de difícil controle. Além disso, pacientes com esôfago de Barrett podem ter redução da sensibilidade esofágica e apresentar poucos sintomas mesmo com refluxo frequente — reforçando a importância da endoscopia em pacientes de risco.
Quais alimentos devo evitar com refluxo?
Os principais gatilhos alimentares são: alimentos gordurosos (especialmente frituras), café, álcool, chocolate, menta e hortelã, cítricos (laranja, limão, abacaxi), tomate e derivados, bebidas carbonatadas e refeições muito volumosas. É importante ressaltar que os gatilhos são individuais — nem todos os pacientes com DRGE reagem igualmente aos mesmos alimentos. A identificação dos seus gatilhos específicos, com orientação da Dra. Gabriela, é mais eficaz do que seguir listas genéricas de restrição.
Azia persistente em Colatina? Agende sua avaliação com especialista
A Dra. Gabriela Dalfior Ferreira, gastroenterologista em Colatina-ES, realiza diagnóstico completo e tratamento individualizado do refluxo gastroesofágico — do IBP ao acompanhamento do esôfago de Barrett. Atendimento presencial e online disponíveis.
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